VII ENCONTRO NACIONAL DEFENDER – 26, 27 e 28 de Outubro de 2012

Boas.

Pese embora a situação de crise em que vivemos, o preço dos combustíveis e as últimas medidas anunciadas pelo Governo, vamos realizar mais uma edição do Encontro Nacional Defender  e como sempre no Aeródromo Municipal da Lousã.

A data já foi confirmada pela  Câmara Municipal,  tendo em conta a época dos Fogos Florestais e será nos dias 26, 27 e 28 de Outubro de 2012.

Vamos ter as seguintes actividades:

– Workshop de Orientação sobre Oruxmaps. por João Cardoso:

  • Apresentação
  • Interface e elementos visuais
  • Operações básicas
    • Mapas
      • Mapas Online
      • Mapas Offline
    • Pontos de passagem (waypoints)
    • Trajectos (tracks) e rotas
  • Navegação em OruxMaps
  • Caso prático

– Dicas de Mecânica, por Paulo Bré:

Serão abordados os temas abaixo indicados e outros que motivem o interesse durante o Workshop. Durante a sessão o Ti Bré apresentará as peças que por desleixo ou má utilização, tiveram que ser substituídas, bem com as vantagens em pequenas alterações para aumentar a fiabilidade dos Defender’s.

  • Falhas frequentes

– (Interruptor luzes; Travão de mão; Bomba embraiagem e travões; água no habitáculo; Folgas tirantes e cubos; farolins; caixa direcção; detector humidade gasóleo, cablagem injectores, regulador de pressão do gasóleo, sensor da cambota, EGR, wastegate, etc)

  • Microcat, Manual , Nanocom;
  • Equipamentos e manutenção (manilhas; guincho; bloqueios; CB; Hi-Lift; cintas; pontos de recuperação, protecções; impermeável; galochas; luvas; roldana; manómetro pneus; ferramentas)
  • Lavagem e lubrificação
  • Condução fora de estrada (conduta TT; bloqueios diferencias; caixa de transferência).

– Pista de Obstáculos;

– O meu Defender versus Marcos Geodésicos;

– Land Caches;

– E outras surpresas.

Vamos dando notícias.

Fiquem bem.

FRAGMENTOS DE MEMÓRIAS – 5.º

Baixa de Cassange, Angola 1964(5)

A Baixa de Cassange era uma das mais importantes zonas para o cultivo de algodão, controlada pela Cotonang. Era uma importante depressão com mais de 80 000 km2, com forte apetência para o cultivo de algodão. Segundo relatos da zona o nº de agricultores era superior a 30 000.

Milundo, era um posto administrativo mais avançado numa zona com fortes consulções da era da Guerra Colonial, mas isso agora não interessa para aqui.

O Posto de Milundo, era uma enorme casa branca numa zona em que a água brotava a jorro da terra, era impressionante ainda hoje me lembro de ver a areia quase que a ser expulsa pela água de buracos de formiga.

O soba da zona, tinha convencido o meu cunhado a fazer uma caçada a noite, com a ajuda de uma grande queimada de modo a cercar as pacaças, palancas ou antílopes.

Ao final da tarde o Land Rover Série II 88, ainda com os faróis no meio, passava para as minhas mãos e o farolim não parava de rodar em busca de uns olhos brilhantes no meio do mato.

Quase a noite os homens de Milundo, com arcos de flechas, sandálias de mato entrançado ou de sola de um velho pneu,  corriam num grande círculo com vários hectares lançando uma grande queimada, para espantar a caça.

Outros, armados com lanças e arcos com flechas com veneno, procuravam todo o tipo de caça para alimentar a as populações.

Quase ao raiar da manhã, acabava a caçada, controlado que estava a queimada e dividia-se a caça, que era recolhida no capot do Land Rover em mais de uma viagem.

Durante a queimada/caçada eram cantados cânticos, batiam com as pernas no chão com anéis de metal para o barulho ser maior, para espantar a caça.

A Baixa de Cassange foi em 1961, alvo de umas maiores “massacres” da população, por terem na altura, feito greve a plantação de algodão o que marcou a Baixa de Cassange com um dos símbolos da resistência.

Lousã, 49 anos depois….

FRAGMENTOS DE MEMÓRIAS – 4.º

1992, Fort Miribel (Argélia)

O Mapa Michelin 953, indicava um tracejado vermelho muito miudinho e nos extremos duas barras verticais o que em termos internacionais de mapas quer dizer “Piste Interdite”. Ao final da tarde fizemos uma incursão a partir de El-Golèa às fraldas do Grand Erg Oriental, onde pernoitamos. Esta aventura criou-nos um misto de emoções e receios, já que a longa caravana permitia ver ao longe os  pequenos faróis das luzes vermelhas do 4×4. Só tínhamos um rumo de bússola e foi andar até chegar ao Erg.

Mas as verdadeiras pistas começavam a partir de Fort Miribel, cerca de 300 kms de uma pista interdita e demolidora até Hassi Bel Guebbour.

O Fort Miribel não era mais que umas ruínas de um Forte construído em 1894, tendo sido abandonado em 1903 com essa função. De 1903 até 1930, serviu de entreposto automóvel. Essa última função era bem visível no resto de peças carcaças de automóveis. Lembro-me de ver inúmeros amortecedores torcidos e partidos.

A partida de Fort Miribel, foi bem cedo depois de termos retomado de madrugada a estrada nacional de El-Goléa a In Salah. A caravana compacta tinha indicações rigorosas para se cumprir a norma “Ter sempre o carro de trás no retrovisor”. Esta técnica permitia manter a caravana compacta e ganhar tempo. Um dos UMM ( da 1ª geração), tem a 1.ª avaria com um tubo de travões rebentado. Vinca-se o tubo e retomamos a longa viagem. A meio do percurso apanhamos um dos primeiros destroços do Paris Dakar, quando ainda passavam pela Argélia. Diziam alguns entendidos que era os restos do Range Rover de fábrica de Patrick Zaniroli. Aproveitou-se para com cuidado retirar o tubo dos travões para mais tarde substituir no UMM. Mas a frente os restos de uma KTM de que só resta o quadro e as rodas, tudo sem ponta de ferrugem, devido à ausência de humidade do ar. Mais a frente encontramos as primeiras caravanas de Tuaregues com os camelos carregados de produtos para o norte do Niger.

A meio da tarde a coisa complica-se, uma violenta tempestade de areia está sobre a caravana, não se vê nada ou quase nada, a velocidade reduz-se drasticamente e a determinada altura nem os faróis vermelhos são visíveis. A areia entra por todo o lado e a caravana para. As viaturas encostam umas as obras e contam-se os 4×4. Conta-se uma vez e reconta-se, e confirma-se a falta de um UMM de cor vermelha com um casal, já com alguma experiência em Expedições para a Guiné e Argélia. O pessoal das motas, tem um trabalho heróico, fazendo incursões com saídas perpendiculares aos 4×4 e voltando numa tentativa de encontrar o UMM. A tempestade continua, a areia invade todos os poros está insuportável, o checehe dá uma ajuda. Continuar a ler “FRAGMENTOS DE MEMÓRIAS – 4.º”

FRAGMENTOS DE MEMÓRIAS – 3.º

Março ou Abril de 1992, Kidal (Mali)

A aventura de Tin Zaouatene a Kidal, foram de tal modo perigosas, que hoje a distância de 20 anos, reconheço que estava noutra dimensão. A avaliação dos perigos passou ao lado da Expedição, de certeza que estávamos noutra galáxia.

Kidal, um pequeno lugar a 900 Kms de Tin Zaouatene e a cerca de 700 kms de Gao, longe de tudo e de qualquer rota segura. Dizem que hoje, após queda da Líbia é zona forte da AQIM.

Entramos em Kidal vindos de uma Pista por onde não passava nenhuma caravana a mais de dois anos, o que criou estupefacção ao pequeno grupo de pessoas que junto a um poço enchiam baldes e bidons de água.

O edifício da Alfândega era uma minúscula, construção de barro, coberta de chapa de zinco e só com uma abertura a da porta, mas sem porta.

O militar, de calça de camuflado e peito a descoberto tem uma pistola no cold e uma metralhadora na mão. Senta-se numa espécie de cadeira ( um antigo banco de automóvel, mas com as molas à mostra) e começa a carimbar os passaportes sem fazer perguntas, em cima de uma pequena mesa tosca de madeira. Cá fora a uns 200 metros uma coluna militar esperava por nós. Havia duas vezes por semana uma coluna militar, com dois blindados soviéticos e duas carrinhas Toyota, com metralhadoras fixas no chassis, que faziam o percurso entre Kidal e Gao.

Junto ao poço, havia um pequeno edifício “Palais de Justice” e logo ao lado um pequeno comércio.

Consegui uma laranjada, Fanta? Canada-Dry? Sei que a bebi numa golfada.

Lousã, 20 anos depois…

Parola Gonçalves

 

FRAGMENTOS DE MEMÓRIAS – 2.º

Março de 1992 – Ghardaia (Argélia)

A saída de Telmecen, tinha sido muito cedo, estávamos no Ramadão e saímos do Pequeno Parque de Campismo com o som das primeiras orações. A Mesquita era anexa ao Camping e o som era muito forte, mas a viagem também era longa.

Diziam que Ghardaia era as Portas do Deserto, lembro-me de descer por uma estrada sinuosa e ver encaixada na montanha uma cidade. Descemos para um”plateaux” e lá estava uma cidade soberba, em que as cores se misturam e fundiam com a envolvente. Diziam que era uma cidade “dividida” em cinco de acordo com as etnias e credos religiosos, seria? ainda hoje não sei.

O Parque de Campismo de Ghardaia era dentro de um Oásis, um Parque moderno para a altura com uma recepção carregada de autocolantes e muitos de Moto Clubes Portugueses.  Muitas\ palmeiras e água com farturas em caleiras ou “fogaras” cruzavam o Parque, tal e qual uma descrição de um espaço de cinema.

Fora do parque o ambiente era muito fechado, talvez por estar no Ramadão, mas quando o sol se pôs no horizonte, o rebuliço começou. As ruas foram invadidas por bancas de venda, desde ao meio cigarro a um xote de escocês.

O jantar foi num dos Restaurantes “Restaurant Paris”, uma sopa (harira) e esparguete com carne de vaca carregado de massa de tomate.

Ainda hoje me lembro da beleza do Camping de Ghardaia…..

Lousã 20 anos depois

Parola Gonçalves