Musseque Marçal quase ao pormenor – 1.ª parte
Todos os Musseques tinham, a sua história, mas o Marçal batia-os a todos. Era um Musseque diferente, já que ficava entalado entre a CAOP, o Sambizanga, o Rangel e a Vila Alice. A sua areia vermelha era uma imagem de marca, que tornava os charcos na época das chuvas da cor do Glorioso.
Mas, o Marçal era mais do que isso, tinha os seus símbolos, os seus heróis. Aqui, vou tentar ao fim de quase 40 anos lembrar-me deles aleatoriamente.
– Bairro do Teixeira, era como que um condomínio fechado, mesmo encostado à Rua Garcia da Horta, hoje Soba Manduomé;
– Casa Gonçalves, uma Casa de Pasto tradicional, que nunca fechava durante todo o ano. Peixe frito com arroz, e massa com aba guisada, era o forte da casa. Tinha também para os “brancos” uma espécie de pensão, com a sardinha salgada vinda do Continente (Portugal) era o prato forte ao sábado;
– Armazéns do Suba – eram um enorme edifício retangular, caiado de branco, mas com um interior repleto de bons tecidos, perfumes e tudo de chic o que se consumia na Europa, mas não no Continente (Portugal), onde a nata da burguesia branca, que em limusinas, pelo meio da areia vermelha, iam ao final da tarde, ver as novidades de alta-costura.
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