MOMENTOS DE GLÓRIA – PORTUGAL 1000 EM 1990

 

Boas.

Todos nós temos os nossos momentos de glória e eu já tive alguns, bastantes até.

Um dia o Metello disse-me “Parola, que tal irmos ao Portugal 1000”, a resposta estava logo lá, “Embora, estás a espera de quê?”.

O nosso carro era um UMM Turbo dos 1.ºs a sair e estava todo de origem.

Falamos com o “Tuxa”, o Pedro Bastos na altura dos UMMs e levamos o carro a Lisboa para ser afinado.

Metemos 2 amortecedores por roda, mudamos a pressão do turbo e fomos a sucata comprar uns cintos de segurança para em casa fazermos uns cintos de 4 apoios ou pontas.

Capacetes tipo “penico” e lá vamos para o Parque Fechado defronte dos Jerónimos e depois para as verificações técnicas num quartel que havia ou há a subir para a Ajuda. 

Passamos no teste com alguma benevolência do comissário que se ria a brava dos nossos cintos de segurança, mas estavamos admitidos e era isso que interessava, entar no Parque Fechado dos Jerónimos ao pé das grandes máquinas.

Aquele Parque fechado era “medonho” de grande, uma organização a Megre, metia pilotos de marca e até Touaregues do Niger, ya um tipo porreiro que tinha uma agência de 4×4 no Niger, cujo nome agora não me recordo. Basta ver a lista de inscritos para andarmos todos “inchados”.

Bem de manhã cedo, com road book na mão fomos para o Prólogo, na zona de Pegões para uma Herdade dos Pedro Queirós Pereira.

O João Bandeira que andava nas motas e tinha vencido um Transportugal, um bocado por culpa minha compra um UMM Troféu e alinha com o filho do Balsemão do Expresso, o Henrique Balsemão, a pendura, que apanhou a “Borra” tal o andamento do João Bandeira. O Bandeira uma semana antes foi treinar para o Aeródromo  com a mulher e pareceu-me em casa a dizer “capotei o UMM”. Fomos pôr o UMM na horinzontal e  o carro e foi para a prova.

Bem, estamos na zona do Prólogo a espera da nossa vez, e eu começo a ver o pessoal com os carros todos “kitados”, capacetes com intercomunicador, fatos de competição e nós nada. Metello de sapatos de pala,camisinha branca, a sua inconfundível calça de tirylene cinza escuro e óculos bués de escuro, eu de calça de ganga e sapatilhas, um estilo mais cool.

Quando faltavam os 3 carros para chegar a nossa vez, Filipe Botton o homem forte da Logoplaste, chega ao pé de nós e dispara, ” como sou mais rápido que voçês, quando ouvirem a buzina de ultrapassagem, aquela tipo emergência, encostem”. Metelllo sempre sisudo diz “concerteza”.

Botton, afasta-se e Metello desabafa, ” vou encostar é no ca….o”.

Chega a nossa vez e Megre ri-te dos capacetes e dos cintos, e começa 5,4,3,2,1 e partida.

Começo a dar as notas a Metello, mas o brulho dentro do UMM era tanto que nem a berrar se ouvia.

Os cintos não seguravam um tipo no banco, que eram normais, nem sequer tinham encostos laterais o que obrigava a ter as mãos no tablier e notas nada. Decidimos seguir o rasto na pista sempre prego a fundo, aquelas mudanças entravam no limite e arranhavam sempre, mas Botton é que não podia passar, palavra de Metello.

Ao fim de uns 4 ou 5  kms dos 14 que tinha o prólogo, já não tinhamos amortecedores, o UMM voa descontrolado e batia por todo o lado, mas Botton não podia passar e eu picava o Metello para acelerar ainda mais. Depois naquela curva onde havia bués de pessoas e a areia era mais que muita,  o pessoal puxava pelos pilotos era a loucura total, Metello ainda dá mais gaz e a curvar para a direita na areia numa curva a quase 90.º o UMM enterra a frente e enrola-se capotando, dando umas 4 ou 5 voltas.

Os cintos funcionaram, ficamos dentro do UMM um bom bocado a tentar libertar dos cintos, depois lá saímos com o nosso “momento de glória”.

A televisão estava a transmitir o prólogo através do Eurosport para todo o mundo e o nosso patrocinador a EFAPEL que estava numa reunião em Paris, foi chamado a uma sala ao lado para ver o seu “carro” de pernas para o ar. Ele disse que o retorno tinha sido bom.

Com a ajuda do público metemos o carro direito e fomos fazer o resto do prólogo a deitar fumo por todo o lado.

PS: Os carros saíam de minuto a minuto e o Botton passou no sítio do capotanço 1’30” depois. Pelo menos Metello ganhou a Botton, cerca de 30”.

Levamos o carro para o Parque Fechado nos Jerónimos e por aí acabou a eventura.

Mas ficamos felizes.

E faziamos poeira….. em grande estilo…….eheheheh…ahhhhpoiéeééééééé´…nada de tretas.

Um thanks ainda hoje a EFAPEL, a COPINAQUE e a FAMACOPE, patrocinadores de sempre.

Fiquem bem.

Estas memórias fazem bem.

Inté.

Mungo ué.

PS:  Este UMM, ficou algures na terra de ninguém em pleno deserto doTenerée, no Mali, em Tin Zouaten.

Segundo dizem alguns expedicionários já foi visto em Nouakchott na Mauritânia.

“O pormenor da meia branca”

PROVA DE NAVEGAÇÃO NA ZONA DE CAMPO MAIOR

Isto não é ficção mas a realidade.

Em 1988 o Clube Todo Terreno organizou uma Prova de Navegação na Zona de Campo Maior e estabeleceu o Quartel General junto a Barragem do Caia.

Era uma prova de navegação com pontos a vista para difícil para os tempos de então.

O Grupo Moto Verdes tinha evoluído por motivos “legais” para uma Secção de Todo Terreno Do Rugby da Lousã que ainda existe e ainda funciona, pelos menos aos jantares de sexta-feira e de um Passeio Familiar Anual.

Pelos serviços prestados e pelas causas defendidas o Clube Todo Terreno tinha agraciado a nossa Secção do RCLousã com um diploma de Sócio de Mérito, que orgulhosamente o RC Lousã tem na sua SEDE.

Mas vamos ao que interessa.

Eu o Rui Barata o Luís Martins e o Metello, ya com dois “LL”, quando recebemos a carta do Clube,toca de inscrever e partir para uma aventura  e que aventura, pessoal.

Eu tinha uma Aprilia 350 com motor de arranque um luxo para a época, o Luís a sua fiel e natiga Suzuki 125 a dois tempos e o Metello um série III com motor de um Merceds 190D montado a pressa pra a prova de navegação.

Tinhamos combinado sair de manhã cedo do tipo 9.00 horas para ir nas calmas, mas ás 4.00 da tarde ainda estavam de volta do Série/Mercedes a adaptar tudo emais alguma coisa.

Bem, perto das 17.00 horas na partimos nós, eu e o Luís de mota e o Metello e o Rui Barata de Série/Mercedes, chovia que era uma coisa louca e nós a uns 350 kms da Barragem, mas nada de desistir porque “só os duros é que penetram”.

Não andamos muito, perto de Miranda o Série/Mercedes tem a 1.ª de muitas panes, começa a aquecer e voilá o radiador furado.

Rebocamos o Série/Mercedes para uma oficina e desmonta-se o radiador e o Zé Corno, sim é esse o nome, solda o dano e como era expedito toca de arrancar a torneira de drenagem.

Partimos novamente com uma chuva do caraças, mas nada de desistências o rumo é Barragem do Caia. Mas também não andamos muito, não passamoa de Cabaços, que raio de nome de terra, e eis que dá de novo a “Borra” ao Série/Mercedes, começa a aquecer e a “verter águas”. Lá fui eu e o Luís a procura de um tipo para soldar o radiador novamente enquanto o Barata o desmontava, ficou especialista, de tanto mesmonta/monta.

No Largo em Cabaços perguntamos a um homem se alguém nos podia soldar um radiador e este repondeu de imediato, “Só se for o Joaquim Jeitoso”, que mora no fim da rua.

Lá fomos e o homem tinha pinta de “jeitoso”. Naquele quintal era sucata por todos os lados, mas disse logo que arranjava o radiador. Maçarico numa mão, solda na outra e radiador pronto e toca de continuar viagem rumo a Barragem do Caia debaixo de uma forte chuvada.

Passado um bocado o limpa vidros que já ameaçava ficar quieto, ficou mesmo e nada melhor que parar numa tasca e pedir uma batata e lá ia o Rui Barata passadno a batata descascada de vez em quando no vidro. De salientar que o Metello ainda via menos do que eu e tinha feito aos dois olhos transplantaes de córnea, tinha sido o pioneiro. O Man a noite não via nada e a chover pior com aquela luz de um Série/Mercedes.

Perto de Tomar, junto a umas Bombas que agora são da Total, havia um brutal acidente de automóvel e tivemos de parar, e eis que sou albarroado pelo Luís com a sua 125 ainda com travões de tambor atrás e a frente, e catapruz, volante torcido, piscas partidos, umas escoriações e Luís em frente já que a mota não parava com os travões molhados e vidrados.

Levantamos a Aprilia e paramos na agora “Total” para ver os estragos e reparar o que fosse.

Metello olha para a temperatura e voilá no vermelho e o Série/Mercedes “mijava” água, mas desta vez não era do radiador era de uma rela. Mas nada que não se resolvesse porque o objectivo era a Barragem do Caia. Vai-se ao tasco e pede-se uma rolha de cortiça e toca de tapar o buraco da rela e esperar que a rolha inchasse para não sair. Seiq ue coloquei os meus óculos em cima da bomba e quando procuro por eles nada. Sem óculos não haveria Barragem do Caia.

Então disse em voz alta “o tipo que me ficou com os óculos está tramado , aquilo são umas lentes muito fortes”. Fomos ao café e quando voltamos os óculos lá estavam.

Toca a partir e eram duas da manhã quando chegamos a Arronches e tivemos que parar porque a Aprilia já trazia a reboque o Luís que tinha ficado sem gasolina.

A solução foi esperar que a bomba abrisse de manhã.

Então decidimos dormir numa pensão, para secar a roupa e tomar um banho quente.

Lá batemos a porta de uma pensão e alugamos um quarto, só que não havia água quente, dizia o homem e nós a mirarmos o cilindro mas desligado.

O homem basou e nós toca de ligar o cilindro e as 6 da matina tudo foi ao banho, porque queriamos chegar a Barragem. Atestamos as motas e o Série/Mercedes e chagamos a Barragem do Caia e o espectáculo era lindo, bués de 4×4, bués de tendas, muito pessoal. Fizemos o check in e toca de partir para a prova.

Metello era um excelente condutor, só não tinha caaro a altura, mas o Man tinha queda para andar de 4×4. Fizemos os primeiros 3 ou 4 pontos e eis que perto de Monsaraz o Série/Mercedes vai de novo ao vermelho. Paramos e radiador rôto novamente.

Então de dia e com muita atenção, reparamos que as pás da ventoinha,tinham ido embora, seja quando o Série/Mercedes fazia uma curva mais apertada as pás batiam no radiador e buraco. Nada que o Rui Barata não resolvesse, aligate de corte e toca de colocar as pás de ventoinha mais curtas, porque agora era precisi chegar a casa. Mas para isso era preciso raranjar outro “Joaquim Jeitoso” e apareceu mesmo aí a uns 50 metros de nós. Lá estava ele, com uns 60 anos, chapéu na cabeça. Fomos ter com ele e disse-nos, “eu soldo isso” e assim foi.

Bem depois de tanto monta/desmonta o melhor era regressar.

Com as pás cortadas o Série/Mercedes, chegou a casa, aquecendo mais um pouco, paramos mais vezes, mas chegamos, sem que pelo caminho o Metello não comprasse um motor de um série para este ficar mesmo Série/Série. E comprou em Miranda do Corvo um motor reparado.

Pelo que fizemos da prova que estava a correr bem, descobri que também era “O Joaquinzinho da Orientação”, que também era jeitoso. Chegava a conduzir a Aprilia com a carta militar no depósito em navegação pura nos passeios e provas. Ainda hoje trago umas marcas de umas quedas nessa prova em que a Aprilia se lembrou de visitar o arame farpado de uma herdade.

Fiquem bem.

Parola Gonçalves “Joaquinzinho Jeitoso da Orientação”

Inté.

GRUPO MOTO VERDES

Boas.

No verão de 1983, já lá vão uns 25 anos, um grupo de Motards em que eu me incluía, teimou em dar umas voltas de mota de “enduro” pelo país fora e como tal, acordaram depositar no Banco Fonsecas & Burnay todos os meses 5 000$00, para depois no verão seguinte partir como uns lordes a enrolar a espia do acelerador.

As motas eram desde Yamaha DT 125 a 350, Casal 125, lembram-se delas e Suzukis 125, umas máquinas loucas.

A nossa primeira viagem foi para a zona de Miranda do Douro, queriam conhecer o Douro Internacional, o Parque de Montesinho e toda a zona raiana. Como havia guito o pessoal só abancava em Pousadas, e como tal optamos pela de Miranda do Douro e de Bragança.

Naquele tempo o equipamento era calças de ganga, blusão tipo “Bombeiro” e umas botas alentejanas ou então de borracha. O que interessava mesmo era curtir.

Saímos muito cedo em direcção a Pinhel e depois em Miranda do Douro onde chegamos já de noite, porque pelo meio havia umas bejecas, uns banhos em pelota nas ribeiras ou rios, nada de pressas, porque o que interessava era apreciar a paisagem, e sobretudo comer bem e do melhor. Em Miranda do Douro era tanta a etiqueta na Pousada que os empregados estavam desconfiados do pessoal.

Ainda me lembro de levar na minha Yamaha DT 350 uma carta militar a escala 1:50000 e fazer navegação em andamento no Parque de Montesinho, nomeadamente da Aldeia de França a Rio de Onõr, era a loucura total com a espia toda enrolada. Aqueles banhos nas ribeiras geladas de Montesinho eram o “must”, com o pessoal descontraído.

Nas rectas entre Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo, era o pessoal deitado nos bancos das motas, prego a fundo em corridas malucas ou em números de circo fabulosos com um pé no assento da mota, as mãos no volante e o outro no ar, coisas de doidos, não é.

Em Miranda do Douro nessa altura adorei ver os burros de raça mirandesa que até hoje nunca esqueci a graciosidade da raça e da beleza do animal, uma raça que uma Associação a uns anos protege e cuida em Miranda do Douro.

Esta foi a 1.ª viagem de muitas que fizemos pelo país fora de norte a sul.

O grupo tinha um nome “Grupo de Todo Terreno Moto Verdes”, vá-se lá saber porquê?

Mas que era giro era.

Ainda hoje o pessoal se encontra e quando fizemos 20 anos houve uma boa jantarada.

Fiquem bem

Parola

Luís Martins

Torres

Tó Mané

Mico

Fazendeiro

Artur Fotográfo

Inté.

Fiquem bem

 

O Topé que ainda não era nascido nessa data está a digitalizar o Road-book que pode ser obtido clicando na imagem superior da capa do road book.

 

DE TAMTATTOUCHTE A MSEMRIR

Boas.

“VOU SEMPRE, MESMO QUE NÃO VOLTE”.

Dou por mim muitas vezes, a pensar na Odisseia que foi, a etapa nocturna de ligação entre as Gargantas de Todra a Dadés.

Mas com a preparação da II Expedição a Marrocos ao ler o “Le Guide du Rotard Maroc 2008”, esta travessia merecia um lugar de destaque em dois lugares distintos face  a beleza da travessia e a sua dificuldade, já que com o mau tempo não existe trilho.

Sinceramente acho que foi uma aventura que começou pouco depois das 18.00 horas de um dia qualquer de Setembro e acabou por volta das 3.00 horas da manhã do dia seguinte depois de quase 8.00 horas para fazer cerca de 40 kms de uma pista invisível numa noite escura a uma altitude média de 2600 mts.

Não existe nenhum lugar digno desse nome ao longo do percurso. Como referem muitos Guias, uma pista em lado nenhum.

 Recordo com algum riso de saudade a minha conversa com o “Savimbi”, antes de levar 11 Land Rovers e 24 pessoas, para uma pista de montanha com precipícios “medonhos”, que o escuro da noite não dava para ver, nomeadamente nas curvas com ganchos apertados em que a roda traseira esquerda pisava o limite da segurança da vala. Pode parecer ridículo, mas aquela conversa com o “Savimbi” foi muito importante enquanto o resto do pessoal se divertia a molhar os pés e a beber umas “Cucas”, que entretento refrescavam nas águas geladas do Rio Todra. Eu confio cegamente no meu “Savimbi”, tenho uma confiança inequívoca no meu Defender e isso é muito importante.

O ponto mais elevado da pista é o Pico D’Aguerd a 2639 mts.

A pista começa suave com vistas soberbas sobre a montanha, entrando lentamente para um labirinto de curvas e contra-curvas de um Oued carregado de calhaus que escorregam da montanha que ladeia o Oued. As fortes chuvadas tinham eliminado o que restava da pista e foi uma busca constante de trilhos e saídas naquela noite escura em que o pessoal começava a entrar em stress, porque nunca mais tinha fim aquela longa pista.

Foi muito importante a ajuda do João Anágua que serviu de “lebre” a descobrir trilhos no meio do nada e da Rosa Maria que foram os meus “olhos”, naquela noite.

O GPS, não deixava de marcar 33.9 kms de distância ao destino, medida em linha recta e isso era demolidor, nomeadamente para mim e para o Anágua que sem ter falado com ele via CB, entendeu a minha mensagem via rádio “só faltam 12 kms, só faltam 4 kms” e o GPS insistia em manter a distância no 30 kms.

Por isso, não quero deixar de lá voltar, para ver o que não vi, para apreciar aqueles pisos de rochas rolantes e os plateaux calcáreos que descem para Dadés.

 Track para Mapsource, AQui

 

O famoso Track no início do percurso

2,4 Kms numa hora é obra e subimos mais de 300 mts

Algures antes do desfiladeiro a ver o track no GPS

Inté

O SOLDADINHO NÃO VOLTA DO OUTRO LADO DO MAR

Boas.

Um destes dias quando me dirigia a uma obra no DefTd5White, comecei a ouvir o Zeca Afonso que me fez recordar duas fases distintas da minha vida, o antes e o depois revolução.

Na fase do antes recordei-me que para ouvir o Zeca Afonso na nossa Associação de Estudantes, era preciso montar um esquema de vigilância apurado e eficiente para não termos problemas.

Então ouvir Zeca Afonso, Correia de Oliveira, Fausto, Fanha, Bonga, Mingas e muitos outros, era sempre um grande desafio.´

De vez em quando aparecia por lá a DGS ex-Pide, que tinha os seus informadores, sempre atentos, que levavam todo o material.

Muitas vezes alguns colegas deixavam de ir as aulas semanas e o motivo era o mesmo de sempre, os Bufos em acção mesmo contra os próprios colegas. Aconteceu isso ao Flores, ao Melo, ao Pedro, ao Paiva e muitos outros.

Acontece que estando eu no último ano do Curso estava já a estagiar numa empresa especializada em fundações especiais que se chamava “A Sondadora” e ficava junto a Jomar e a Canada-Dry a caminho do Bairro da Cuca. Esta Empresa estava a construir as fundações especiais do novo hospital de Luanda que teria 24 pisos acima do solo e eu tinha a função de determinar os assentamentos diferenciais do grupo de estacas através de uns caixotões enormes carregados com muitas toneladas de areia sobre a cabeça das estacas que estavam solidariamente interligadas por uma viga de fundação.

Estas medições eram feitas com horário estabelecido e na visita das 4.00 horas da matina, estava eu de lanterna em punho a verificar e a anotar os assentamentos, quando chega ao pé de mim o Engenheiro Mendes e diz ” Parola estive via rádio a falar com a empresa mãe que era a Teixiera Duarte em Lisboa e houve um Golpe de Estado em Portugal, mas não podes dizer nada, porque a situação está confusa.

Bem as dez da matina desse dia, 25 de ABRIL as portas da Associação de Estudantes, abriram de par em par e António Correia de Oliveira, Zeca Afonso, Fausto, Fanha, Zé Mario Branco, Bonga e Mingas, passaram a ser ouvidos de forma livre e sem medos.

Eis que o dia corre tenso, mas a meio da tarde todos aqueles que se tinham sumido apareceram novamente.

Depois desse dia nada ficou igual e a batalha seguinte foi a Reforma do Ensino, em que eu e muitos outros nos batemos forte e feio, mas em Maio de 1975 era aprovada pelo Governo de Trânsição.

Quando puder escrevo sobre a Reforma do IIL.

Inté.