Boas.
Algumas fotos.
Boas.
Na recente Expedição ao Anti-Atlas o SAvimbi, nome porque é mais conhecido o Land Rover Defender Td5 de Parola Gonçalves, partiu o Turbo a caminho de Smara, já no Sahara Ocidental.
Para além do agradecimento pessoal que fiz aos expedicionários, pelo espírito de solidariedade, camaradagem e espírito de Expedição demonstrado, não queria deixar de publicamente reconhecer a três pessoas que muito colaboraram para que o SAvimbi, viesse pelos seus próprios meios até casa.
Em primeiro lugar a Christine (Mamy du Maroc) e a sua equipa do Auberge 2 Chameaux, em El Ouatia, que providenciou os mecânicos e serviu de elo de ligação, já que só falavam árabe e um pouco de francês;
Em segundo lugar aos mecânicos, o Monsieur Montacer Boirza, dono da oficina e ao Monsieur Hasem, funcionário, que desde o início mostraram serem competentes e capazes de levar a bom termo a reparação do SAvimbi.
E por último ao John e Ana, ao Leonel e Américo, ao Marco Lino e Raquel Magalhães, ao Viriato e Helena e a Rosa Maria, por serem solidários e com espírito de expedicionário.
A todos muito obrigado.
PS: Leonel, jamais vou esquecer aquele reboque de 300 kms, que começo a 40 km/hora e terminou a 80 Km/Hora, com uma técnica perfeita nas travagens nos STOP’s policiais. Maior sincronia não podia haver. Américo, excelente trabalho a dar chocolates, rebuçados e bebidas ao Leonel para não haver paragens.
Monsieur Montacer Boirza
Monsieur Hasem
GORGES DE AIT MANSOUR
Depois de uma noite diferente no Campement Akka Nait Sidi, optamos por fazer uma visita às Cascatas e às Ruínas da Casa de Charles de Focauld em Tissint, visita que aconselhamos.
Antes de partir, os reabastecimentos com água e pão foram feitos num dos Cafés/Restaurantes da praça principal da cidade. Contudo, convém ter em atenção que ao sair do seu 4×4, pode ter o azar de cair numa caixa de esgoto, que por lá proliferam sem tampa.
É impressionante que quase um século depois a antiga Casa de Charles de Focauld, consigam transmitir uma integração entre a arquitectura árabe e católica.
Devido ao adiantado da hora o que interessava era chegar a Icht o mais rápido possível, com uma paragem em Tata para reabastecer de gasóleo. Porém a paragem em Tata demorou mais que o previsto, já que a 2ª bateria de um 4×4 dava sinais de estar avariada. Testes, verificação de esquemas de montagem, concluem que a bateria estava cansada e o esquema LandLousã, tinha sido marafado, ehehehhe.
A meio da tarde chegamos a Icht, avançando ainda pela N12, até a bomba de combustível que serve de entreposto comercial, onde alguns reabasteceram e de simulou um almoço com as famosas conservas “Isabel”.
Mais uns kms e entramos em Pista ao longo de cerca de 30 kms dentro do Oued Ait Mansour. Uma Pista fácil com muita pedra, muito calhau rolado, com trilho umas vezes bem definido outras nem por isso.
Ao longo da Pista e na sua margem direita, de quando em quando apareciam umas sombras provocadas pelas altas arribas e por muitas árvores a que se juntava esquilos e mais esquilos. A Gorges de Ait Mansour está repleta de esquilos.
A subida do Oued decorreu sem problemas, com um ou outro 4×4, a ficar sem umas palas ou uns cantos de plástico do Pára-choques traseiro, modernices de 4×4 com alcatifa, lololol.
Um pouco antes de Talat-n-Issi acaba a pista e entramos numa estrada nova asfaltada que termina em Talat-n-Issi. Aqui existia uma placa de fundo amarelo que deveria ter umas letras brancas a dizer, “Route Barré en Ait Mansour, 20 Kms”. Havia placa mas letras népia e aí vamos nós por uma das zonas mais espectaculares de Marrocos. Um oásis impressionante, aldeias encastradas nas encostas de areia vermelha e um percurso no meio de palmeiras entre Souk-El-Had-D’Afella-Irhir e Agutin. Simplesmente fabuloso e impressionante.
Com o percurso “Barré”, devido as chuvas, tivemos de regressar a Talat-n-Issi e tomar a direcção de Tafraoute, que ainda distava cerca 50 kms. Mas o resto da viagem animou já era uma Pista no meio de uma zona de árvores, palmeiras, oueds e às vezes restos de asfalto, com a particularidade de termos uma temperatura mais amena, terminando o percurso na zona das Pedras Azuis.
Cansados, chegamos a Tafraoute ao anoitecer, reabastecendo na cidade com fruta, águas e fomos ao Camping Tazga, que aconselhamos. Boas instalações, bom preço, com internet wireless e muita simpatia.
Eis pois a última crónica ou relato, com a certeza que Trafaoute deve ser um ponto a colocarem na vossa Rota, se quiserem fazer a zona de Tan Tan.
Outra certeza é que em Abril de 2012, vamos voltar a zona do Anti-Atlas e Sahara Ocidental, para que a partir de Tata, Assa, M’Sied, Bir Anzarane e Dakhla possamos completar um ciclo de Grandes Expedições.
Campement Akka Nait Sidi, chá de recepção
Casa de Charles Focauld, interior
Cascata Monumental de Tata
A etapa entre Bin Ouidane e Agouti, era rolante e por uma das zonas mais belas do Alto Atlas, o Valée des Aít Bougoumez. A tentativa de fazer o H1, tinha caído por terra, quando soubemos que as fortes chuvadas dos dias anteriores tinham obstruído novamente a Pista de Anergui à Cathedral des Roches.
Optamos então por rolar com calma até Agouti, por uma zona rica em agricultura e com o maior nº de Gîtes de Marrocos.
Dar Itrane, é um desses Gîtes e talvez um dos que tem qualidade acima da média.
Depois de Agouti, paramos para descontrair e fazer o troço entre Imi-N-Talat e Ait Bouzid, com passagem por Tarbat-N-Tirsal, seja fazendo a Pista de Tirsal como é conhecida.
Depois de Agouti, há uma bifurcação com dois ramos, um que sobe em direcção a Ait Mohammad e acede a Azilal ou Demnat, por asfalto ou o ramo que desce até Imi-N-Talat, por asfalto e depois por Pista até Ait Bouzid.
Estávamos já no final da tarde e Marco Lino, entra em Pista, numa zona de terra vermelha com alguma lama e barreiras caídas. Lentamente fomos progredindo com todas as cautelas já que a Pista estava escorregadia.
Depois do cruzamento para Abachkou, subimos para um planalto em que a Pista tinha desaparecido por completo obrigando a uma navegação exigente, trialeira em piso de lamelas de xisto, aparecendo de quando em vez uns enormes rebanhos de cabras e ovelhas. A altitude da Pista variava entre os 2300 e os 2400 mts.
Nas calmas e sob o lema “Devagar, mas com estilo”, chegamos a Ighir-N-Tissent, que não seria mais que um núcleo de apoio aos pastores, descendo depois até Tarbat-N-Tirsal, por trilhos muito perigosos, já que as barreiras caídas de lama dificultavam a progressão em segurança. Mais tarde enquanto aguardavamos por uma boa Tagine de Poulet, Marco Lino, em jeito de desabafo, disse que sentiu respeito por essa zona do percurso. Pese embora os perigos da pista, as paisagens e a riqueza agrícola da zona, faziam valer a pena o esforço do final da tarde.
Antes de chegar a Tarbat-N-Tirsal, as imagens das aldeias encaixadas nas encostas davam um visão de quanto era rica aquela zona. O Lugar de Tagassalt, é um desses exemplos, encaixado na encosta e rodeado de pequenas plataformas de centeio, trigo e hortas.
A chegada a Tarbat-N-Tirsal, foi meio atribulada, já que apareceram muitos miúdos, naquela terra os nascimentos suplantam todos os indicadores de natalidade. Por lapso enviamos pela encosta para dentro do lugar, obrigando a manobras com ajuda da população.
A descida até Tilsghit foi do melhor, porque a Pista atingia a cota 1350 mts, através de um caminho estreito escavado na encosta que nos levou até Ait Boulmane, onde potentes máquinas estão a abrir um novo até Tarbat-N-Tirsal, bem como a colocar uma nova linha de alta tensão, para fornecer energia eléctrica as populações.
Cansados mas felizes, chegamos por volta das 21:00 horas ao Gîte Imi-N-Ifri em Ait Bouzid, Gîte, que recomendamos.
Demoramos cerca de 4 horas a fazer os cerca de 56 kms de Pista digna desse nome, sabiamente conduzidos pelo Marco Lino, que teve uma navegação precisa em terreno exigente, por vezes duro outras vezes escorregadio. Thanks Marco Lino.
Fiquem bem.
Valée des Aít Bougoumez
Tagassalt e a agricultura em socalcos
Uma caixa de direcção “Cassé”
As chuvadas do dia anterior e muitos calhaus
Tagassalt e a montanha, peça única
A saída de Tafraoute estava ligeiramente atrasada, já que foi necessário colocar uma bateria nova, numa das viaturas para apoio a uma Engel Fridge.
Como a Pista de Ait Mansour estava “Barré”, optou-se por chegar de forma mais rápida a Tarhjicht, seja por asfalto. Estava um calor infernal, mais de 50º, pelo que decidimos tentar almoçar num dos restaurantes de estrada, mas não conseguimos nada, avançando para a Pista.
Cruzamos Tagmout e pela informação do Wayteq, que navegava com o Oziexplorer com cartografia a escala 1:100 000, havia um pouco mais adiante um pequeno oásis, junto ao Oued Cayyad, que serviu de base a um excelente almoço de umas latas de “Isabel” ou similares.
Ao entrar na Pista verificamos que não era utilizada a muito tempo, havendo muito mato e tufos, pelo que a navegação se tornou mais interessante, sendo agora o objectivo chegar Ait Moussa-ou-Daoud.
Tentamos por mais de uma vez seguir o que seria a Pista, mas a profundidade do Oued, mais de 5 mts e o corte da Pista com uma barreira de terra com mais de 100 mts, confirmou as nossas suspeitas a Pista tinha sido anulada.
Optamos por analisar as alternativas e rumar a Ait Moussa-ou-Daoud, tomando Marco Lino a navegação do grupo.
Com maior ou menor dificuldade chegamos a Ait Moussa-ou-Daoud. De repente ouvimos via CB o Leonel Sousa dizer “É pá estou a ver montes de aquedutos, deve ser uma estrada nova”. E era uma nova estrada que se supõe ligar aquelas aldeias a Guelmine. Fizemos uma pausa, substituiu-se mais uma vez a borracha do amortecedor traseiro do lado esquerdo do RR e decidimos avançar, não pela estrada mas pela P 7096 ou que restava dela.
O Oued Seyyâd passa a ser durante uns bons Kms a nossa pista até Fask, que passamos ao largo, embora fosse apetecível, já que esta tinha um enorme oásis.
A partir de Fask, entramos na Nacional N12 até Guelmine, para reabastecer, descansar, ir ao mecânico resolver de vez o problema do apoio do amortecedor do RR. Depois foi rumar para a Estância Termal de A’Baynou, para uns banhos de água sulfurosa, com 38º para homens e 28º para mulheres, sabe-se lá porquê, eheheeheeh.
Fiquem bem.