Boucle das Dayet’s, entre Azrou a Imouzer Kandar

Olá.
Vamos partilhar um dos mais belos troços do Médio Atlas, a que designamos por Boucle das Dayet’s.
É um percurso com cerca de 90 kms que percorre uns trilhos ou pistas em pleno Parque Nacional D’Ifrane.
As pistas ou trilhos são pouco perceptíveis em algumas zonas, com muito pedra de calcário corroído pela erosão das águas.
O percurso é uma mistura de barro vermelho de onde sobressaem cabeçotes de calcário branco com erva verde e pequenos arbustos.Se optarmos sair de Azrou devendo tomar a pista junto ao Auberge Habri, que fica junto a bifurcação com a N13.
Junto ao Auberge Habri, deixamos a N13 e seguimos até ao final do asfalto ao longo da P7231, entrando de imediato para um trilho pouco visível que nos leva a primeira à Dayet Afennourir. Uma montanha do nosso lado esquerdo, permite-nos duas hipóteses, continuar ou voltar para trás, já que o acesso à P7231, não é possível.
O deslumbramento toma conta da nossa vista, com o gado no meio da Dayet, entre barro e lama. Umas boas fotos, e continuar para a próxima, seguindo o trilho pouco visível ou inexistente, agora no meio de pequenas árvores mais encostadas a montanha.
Uns quilómetros depois, a montanha tem uma abertura e com os pontos devidamente, colocados no GPS, vemos que poderemos ter uma saída para a P7231, para visitar a Estância de Sky de Michlifen. A navegação é feita ponto a ponto e vamos a descoberta. Entrarmos numa zona típica do Médio Atlas, num cenário de cedros de média altura num zig zag até a P7231, onde seguimos para a Estância de Sky.
A visita num circuito em “Boucle” da-nos para perceber de toda a beleza do local.
Seguimos depois pela P7231 e no nó de cruzamento com a R707, seguimos pela direita e cerca de 1.5 kms deposi inflectimos a esquerda, para visitar um pequeno afloramento de arenitos desgastados pelo vento e pelas águas das chuvas, que permitem ver algumas formas de afloramentos.
Retomamos a P7231 e seguimos para a Dayet Hachlaft, enorme, imponente, ambiciosa. A Dayet está assoreada e repleta de plantas de água, o que a torna mais bela. Na orla da Dayet, há inumeras arvores, como por exemplo salgueiros. Há inúmeros rebanhos de ovelhas e vacas, que procuram bons pastos. As aves têm aqui o seu habitat especialmente. A imensidão da Dayet contrasta com a anterior.
Ao sair da Dayet de Hachlaft, aconselhamos um pouco depois tomar a P7232 e visitar a Dayet de Ifrah, esta também enorme, com cerca de 250 hectares. a paisagem é soberba e para os amantes de fotografia, todas elas têm um motivo de interesse,
Seguindo pela P7232, encontra um pouco depois a P5016, que nos leva a mais significativa Dayet da zona a Dayet de Aoua.é imponente e longa, já que se estende ao longo da P5016. Tem uma área de cerca de 140 hectares e é dotada de excelente infraestruturas como, gaivotas, parque de merendas, bares e outros atractivos.
Tem por perto a famosa e perigosa N8, e pode optar por regressar a Azrou via Ifrane ou optar pela esquerda e visitar Imouzar Kandar, onde ao longo da estrada pode comprar fruta de qualidade dos inúmeros pomares que bordejam a estrada N8.
Fica esta nossa sugestão….Marrocos não é só Erg ou Reg, também é Dayet’s.
Inté

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Geomorfologia Sahariana versus Marrocos Saariano

O Deserto do Sahara ou Sahara, tem um conjunto de características que por norma, quem anda por lá e nomeadamente em Marrocos, só conhece uma, o Erg.
Hoje, vamos dar a conhecer mais algumas características que por norma vemos, caminhamos, mas não damos a devida atenção.
Já abordamos no dia 18 de Novembro de 2015, num “post” com o título, “Reg versus Erg”, estas suas características ou designações utilizadas no Sahara.
Assim temos as seguintes tipos geomorfologia saariana ou sahariana:
Regs, são grandes áreas cobertas com fragmentos de rochas, enegrecidas pela acção do sol e do vento que lhe provoca erosão. Algumas vezes o preto é brilhante, já que devido a uma reacção química com a precipitação, cria um brilho patinado.

reg

Hamadas ou Hammadas, são planaltos desprovidos de solo, com grandes afloramentos de lajes de rochas, algumas vezes de pedra calcária ou arenito, algumas vezes cobertos por um Reg. Um exemplo é a Hamada ou Hammada do Guir, entre Boudnib e Merzouga. A maior Hamada ou Hammada do mundo é a Hammada do Dráa.

hamada

Ergs, são arenosos, estão sempre em movimento e são caracterizados por dunas de areia de diversos tamanhos e alturas. Com exemplo conhecido temos o Erg Chebbi e o Erg Chegaga.
erg

Barchans, quando as dunas são pequenas e se formam na perpendicular ao vento predominante, são designadas barchans. Tem a particularidade de cantar e são um guia para os Guias Saharianos. A curvatura interna da duna é parabólica e como tal aumenta a capacidade de absorver a luz gerada pelo movimento dos grãos de sílica, daí cantando.
barchans
Gueltas ou Guelltas, são lagoas naturais, onde se acumulam águas perenes ou temporárias. Normalmente as Gueltas, formam-se em depressões, onde se depositam enormes quantidades de águas das inundações. Mas há ainda outras designações, como Chott, Daya ou Dayet, sendo o mais conhecido o Chott Tigri e as Dayet Aaoua.
dayet

Sebkhas, são depressões no solo em que o cloreto e o sulfato de sódio, ficam acumulados em grandes quantidades, podem ter ou não ter água. Há enormes Sebkhas, no Sahara Ocidental, nomeadamente a de Tah.
sebkha

Maaders e Grarats, são áreas de inundação rápidas, em que no 1º caso, Maaders onde a água escorre com forte velocidade depois de transbordar dos oueds e os Grarats, depressões para onde correm com velocidade as aguas da superfície.

maaders

e

grarats

Ficam estas notas….em breve haverá mais…..

Le Zerhoun – Route A1 – Boucle du Zerhoun

Le Zerhoun

O Tomo X das Pistes Du Maroc, de autoria de J. Gandini e Hassan Yamani, cujo título é Le Zerhoun, Volubilis & Moulay Idriss, veio dar a conhecer alguns pontos de interesse numa zona que por norma os 4×4 passam por ela “como 4×4 por vinha vindimada”.
O Jebel Zerhoun, é uma cadeia de pequenas montanhas da região Meknes e é caracterizada por uma topografia diversificada, onde as colinas ocupam uma posição dominante, coberta com florestas de carvalhos, pinheiros ou olivais e com uma vasta planície a oeste.
Zerhoun, é uma das regiões mais ricas em património cultural marroquino, como Volubilis, a cidade sagrada de Moulay Idriss, bem como a fortaleza Kasbah Nesrani.
Face a esta introdução vamos hoje dar a conhecer um pouco do percurso:
Route A1. La Grande Boucle du Zerhoun.
É um percurso circular com cerca de 120 kms com saída do Parque de estacionamento de Volubilis e términus em Moulay Idriss.
Como já referimos, este percurso é uma “Boucle”, seja um percurso circular, que percorre uma rede de estradas com o piso mais ou menos degradado, fazendo valer aqui as qualidades de um 4×4 bem como aceder a locais inéditos que outro automóvel não permitia.
Vamos unicamente colocar aqui os pontos de interesse que esta Route A1 nos proporciona.
Como já referimos o percurso tem início no Parque de estacionamento de Volubilis e segue pouco depois por pista indo ao encontro do antigo refúgio de Zerhoun, que no início do século passado, permitia acolher alguns turistas.
A sequência de pontos de interesse “POI’S”, é avassaladora, pois logo ao km 3.60, temos acesso a célebre Gruta de Kef el Hâmam, ou também conhecida pela Gruta dos Pombos.
Ao Km 6.00, temos logo à saída da Vila de Moulay Idriss, uma importante obra de engenharia o Aqueduto Haroun. Um aqueduto construído em alvenaria, tem dois andares, construído para recolher e transportar as águas da montanha. Pensa-se que foi construído na época do Sultão Moulay Abdelaziz.
Ao km 7.60, encontramos uma nascente de águas quentes e sulfurosas de Aïn El Hamma, cujas águas correm para as Gorges Kroumane. Os romanos aproveitaram a nascente e construíram um reservatório circular que ainda hoje existe e foi recuperado em 2010, depois de uma forte invernia. Esta água era canalizada para Volubilis, pois as suas características termais eram muito apreciadas para doenças da pele.
Ao Km 14.80, termina o Parque Natural de SIBE e é possível visitar na zona um antigo complexo de antigos edifícios onde funcionou uma estação de rádio.
Um pouco depois ao Km 19.80, entra em El Mrhassïine, um pequeno lugar onde a presença de edifícios e fontes do tempo do Protectorado, são ainda hoje visíveis. Há ombreiras de janelas tipicamente francesas, bem como fontenários em pedra trabalhada.
A sequência de nascentes ao longo do percurso vão ser uma constante, bem como de alguns antigos cemitérios.
Ao km 25.70, saímos da zona de influência do Jebel Zerhoun e entramos na zona do Jebel Takerma, onde a vegetação muda por completo, e podemos ver ao logo do caminho florestal uma enorme plantação de alfarroba.
Ao km 40.30, em Sidi Mjehde, é aconselhável visitar o antigo lagar mecânico, construído no tempo do Protectorado e que hoje está em ruínas, mas ainda com algum equipamento. De seguida tem em linha de vista a albufeira da Barragem de Sidi Chahed.
Ao km 47.90, segue em direcção a Talaghza, onde vai encontrar oliveiras com mais de um século e com a inscrição feita por gravação na própria árvore do nome do proprietário.
Depois de uma sequência de mudanças tipo de florestas e culturas, mas das quais sobressaí o olival, chega a Bni Ammar ao km 81.50. Bni Ammar é uma antiga vila, que merece uma visita. A sua arquitectura antiga do tempo do Protectorado é ímpar. Com os seus arcos em forma de abóboda as antigas construções ainda se mantêm uma das quais uma antiga chaminé bem como as ruínas de uma antiga barragem agrícola.
Ao km 111.30 chega a Vila de Beni Meraz, depois de passar pelo Douar El Khenadek, ao km 90.00, onde ainda existe as ruínas de La Menara, uma antiga torre de vigia que não suportou a força de um sismo, bem como as restantes habitações. Hoje El Khenadek, é um conjunto de ruínas que sofre com a erosão do tempo.
Em Beni Meraz. Aconselhamos uma vista aos artesãos que trabalham com barros e onde é possível ver como ainda trabalham e adquirir algumas peças.
A “Boucle” aproxima-se da sua parte final, encontrando ainda mais alguns “Douar’s”, seja pequenos lugares com forte componente agrícola ou de pastoreio.
Esta é a nossa pequena contribuição, para quem passa pela zona com o seu 4×4 como “como 4×4 por vinha vindimada”.
Aconselhamos pelo que lemos e pelas fotos que vimos a fazer esta Route A1, podendo ter como base os alojamentos em Volubilis, Hotel e ou Gïte, bem como o Parque de Campismo junto a Moulay Idriss.

PS:
Faça Todo Terreno responsável, respeitando sempre a Natureza e as Boas práticas ambientais! Não deixe lixo pelo caminho. Respeite os alertas das autoridades.
Conselhos e boas Praticas TT:
Levar sempre uma reserva de água, comida e combustível para acautelar algum imprevisto que possa surgir.
As pistas devem ser feitas sempre com o mínimo de duas viaturas 4×4, não saindo dos caminhos ou estradas e respeitando as hortas ou plantações, bem como a propriedade privada.
Alerta – A partilha deste percurso deve obedecer a altura do ano e ao tipo de viatura. Esta partilha, não responsabiliza quem o publicou, por qualquer dano ou acidente que possa ou venha a ocorrer por quem o realizar.
Cada um, deve ponderar a sua utilização, avaliando os riscos e a sua capacidade para o realizar.
Bons trilhos.
2016-07-30_112026

Su-Hoor Versus Iftar – Ramadão

Muitos milhões de Muçulmanos iniciaram na passada segunda-feira dia 6, o Ramadão, o seu mês sagrado. até ao dia 5 de Julho, vão jejuar, orar e mar os desafortunados, cumprindo assim os cinco pilares do Islão. a declaração de fé, a oração diária, o Ramadão, a caridade e a perigranação a Meca. neste mês sagrado que todos os muçulmanos a Alá e aos mais pobres.
“O Ramadão, também escrito Ramadan é o ono mês do calendário islâmico. É o mês durante o qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual (saum), no fundo o quarto dos cinco pilares do Islão (arkan al-Islam). Mas em geral o que é o Ramadão e o que fazem os muçulmanos durante este período importante da sua senda religiosa?
A palavra Ramadão encontra-se relacionada com a palavra árabe ramida, “ser ardente”, possivelmente pelo facto do Islão ter celebrado este jejum pela primeira vez no período mais quente do ano. Uma vez que o calendário islâmico é lunar, o Ramadão não é celebrado todos os anos na mesma data, podendo passar por todas as estações do ano. O Ramadão é um mês sagrado, período de renovação da fé, da prática mais intensa da caridade, e vivência profunda da fraternidade e dos valores da vida familiar. Neste período pede-se ao crente maior proximidade dos valores sagrados, leitura mais assídua do Alcorão, frequência à mesquita, correcção pessoal e autodomínio.

O jejum é observado durante todo o mês, do alvorecer ao pôr-do-sol. O jejum aplica-se também ao fumo e às relações sexuais. O crente deve não só abster-se destas coisas, mas também não pensar nelas. Durante o Ramadão, é comum a frequência mais assídua à mesquita. Além das cinco orações diárias (salat), durante este mês sagrado recita-se uma oração especial chamada Taraweeh (oração nocturna).
O jejum é obrigatório a todos os muçulmanos que chegam à puberdade. A primeira vez em que um jovem é autorizado a jejuar pelos pais constitui um momento importante na sua vida e uma marca simbólica de entrada na vida adulta. Há várias justificativas válidas para não jejuar: enfermidade, gravidez, lactante, menstruação, um idoso ou uma doença incurável. Caso o jejuante coma, beba, fume, ou tenha relações sexuais durante o período do jejum que é da alvorada ao pôr-do-sol, o seu jejum será anulado. Caso este venha a quebrar inadequadamente seu jejum é obrigatório ao crente jejuar durante 60 dias seguidos ou alimentar 60 pessoas pobres.
As refeições durante o Ramadão são o Su-Hoor e o Iftar.
O Su-Hoor é antes da alvorada, uma pequena refeição que substitui o café da manhã (pequeno-almoço) habitual.
O Iftar é ao término de cada dia, o jejum é finalizado com uma oração e uma refeição especial tomada em comum, chamada iftar. O iftar é o momento para reunir os membros da família e os seus amigos numa celebração de fé e de alegria. Após esta refeição, é prática social sair com a família para visitar amigos e familiares.
Actualmente, com a ampliação do diálogo inter-religioso, algumas pessoas de outras religiões são convidadas a partilhar este momento de convívio e é cada vez mais frequente que cristãos ofereçam e celebrem um iftar para os seus amigos muçulmanos.”
Texto disponível no site da Embaixada de Marrocos em Portugal.

Le Romarin Versus L’Arganie

Não pretendemos com estes pequenos “post’s”, fazer grandes dissertações sobre a ciência das plantas, nem tão pouco entrar em conceitos mais elaborados de botânica. Pretendemos unicamente dar a conhecer e alertar para outras “visões” de Marrocos e que por norma nos passa ao lado.
Le Romani (Alecrim), é uma planta aromática, originaria do litoral mediterrânico e como incidência na zona oriental de Marrocos.
As suas qualidades terapêuticas são muito importantes e são hoje uma forte fonte de receita de Marrocos.
Quem andar atento por essas zonas, pode observar este arbusto perene, coberto de folhas verdes que tapam os ramos e cuja floração tem início na primavera, tornando os campos com uma beleza de verde e prateado, do qual ressalta a sua poderosa fragrância. Esse tom prateado, permite que alguns também chamem ao Romarin ou Alecrim, “orvalho do mar” ou “incenso dos pobres”.
Durante a floração os ramos são cortados e transportados no dorso dos animais para as destilarias artesanais. Quando mais seca for a zona e mais isolado for o local melhor é a qualidade do Romarin
Na zona de Guercif existem muitos destiladores de fabrico artesanal, onde se extrai o óleo que pode ser utilizado no tratamento da vesícula, da melhoria da circulação e das dores reumáticas, de entre outras.

L’Arganier ou Árvore de Argan

Uma árvore endémica de Marrocos e quase conhecida de todos, nas suas incursões por Marrocos. A sua imagem de marca e postal mais ilustrado, são as fotos de cabras em cima dos seus ramos e troncos em busca dos seus frutos.
É uma árvore muito resistente que suporta climas muito secos e pode viver cerca de 200 anos.
Os seus ramos espinhosos, são fortes e duros, sendo a sua madeira chamada de “pau-ferro”. O seu fruto, permite obter um óleo, o Óleo de Argan, muito usado no tratamento da pele e como hidratante.
A industria que se move à volta da Árvore de Argan ou Argánia, permite segundo estimativas, criar a fonte de sustento para mais de 3 milhões de Marroquinos. Mais, estima-se que o número de árvores em Marrocos seja superior a 21 milhões.
O seu fruto do tamanho de uma noz, tem a cor verde amarelada, tendo por vezes tons avermelhados. No interior do fruto há duas ou três amêndoas albuminosas com uma forte componente de óleo, cerca de 55%.

Fica pois esta nota, que, porventura numa próxima ida ao reino de Marrocos, nos possa chamar a atenção, que há também outras coisas com interesse.
Inté.