Iche, um destino fabuloso

Isolada nas montanhas, na fronteira entre Marrocos e a Argélia, rodeada por um relevo acidentado, encontra-se uma encruzilhada de pistas utilizadsa tradicionalmente pelas caravanas de camelos vindas do Norte para Sul ou de Este para Oeste. Estamos em Iche.

Iche ou Yiche é uma pequena vila aninhada num vale junto de seu palmeiral, situada na ponta Nordeste do “Jebel Abienen”, um dos cornos setentrionais do maciço de “Beni Smir” (2160 m). O vale de Iche está encaixado entre este maciço e o maciço “Jebel MZI” (2200 m), que separa Iche da Argélia. De acordo com o dialecto berbere Iche significa corno ou canto (ahyIchei), traduzindo bem a representação geográfica deste oásis.

Foi fundadada pelos fenícios por volta de 4.000 anos A.C. Crê-se que em razão da presença de fontes de água. É mesmo considerada uma das mais antigas povoações de Marrocos. No entanto, descobertas arqueológicas demonstram uma presença humana na região bem mais antiga, a qual parece remontar ao Neolítico. A demonstrá-lo um conjunto relativamente vasto de gravuras rupestres (onde se destacam Dchira, Douissa, El Mlalih e Rkiza), bem como de monumentos funerários (localmente chamados de krakir, rjam ou qbour El jouhala).

Reza ainda a história que no século XIX, o movimento de caravanas era intenso trazendo uma certa prosperidade a este local. Iche era um local de retemperamento de forças dos homens e animais que faziam parte das caravanas que por ali passavam, de reagrupamento, antes da travessia por regiões hostis do Norte ou do Sul.

Mais recentemente , em Outubro de 1963, e tal como a vizinha Figuig, foi palco de violentos combates entre forças marroquinas e argelinas, no conflito militar que ficaria conhecido como a “Guerra das Areias”. A falta de definição de fronteiras precisas desde os tempos coloniais foi um fator decisivo. Situação que ainda hoje se mantém de certo modo, não obstante o cessar-fogo de 20 de Fevereiro de 1964 sob os auspícios da OUA e ONU, e que tem contribuído para permanentes focos de tensão (http://www.bladi.net/marocains-arretes-frontiere-algerienne.html).

Hoje, deparamo-nos com uma vila com cerca de 200 habitantes, onde as habitações estão agrupadas num Ksar, em torno da mesquita e restos da cidade. São apoiadas por cavernas de arenito rochoso cavado, que fica no centro de uma depressão, uma espécie de carreiro que interrompe a regularidade do planalto rochoso sobre a margem esquerda do rio.

A água tem um papel fundamental para o Homem, a terra e os animais. A sua permanência é assegurada por uma barragem ao nível do oued (rio) d’Iche e um complexo (ao mesmo tempo que imemorial) sistema de irrigação. Diz-se que estas águas possuem propriedades terapêuticas. Fazem duas colheitas anuais de batatas, feito excepcional se considerarmos que crescem num raio de 300 km. Caso diferente, são as palmeiras que na sua maioria não conseguem produzir os frutos que dela são originários. Contudo, e quase como compensação pelo seu palmeiral “pouco produtivo” encontramos vinhas e várias árvores de fruto, como a macieira ou o damasqueiro.

Um destino que merece bem ser explorado: http://www.everyoneweb.com/ichcom/

EXPEDIÇÃO MARROCOS – CHOTT TIGRI 2012 (3)

A Expedição ao Chott Tigri, está delineada e com o percurso definido. São cerca de 3200 kms em Marrocos, com uma passagem pela orla mediterrânica até a Cala Iris, começando a descida para o Plateaux de Rekkan até Taourit, com passagem pela Pista de Montanha até Targuist.

Col du Nador, Source Ain-Hamra, Gorges de Oued Za, Col de Ayat, são alguns dos muitos pontos de interesse, que pretendemos visitar antes de entrar na zona Oriental de Marrocos.

As longas pistas dos planaltos até Figuig, são um desafio em que a navegação será a nossa aposta. As dunas de areia peganhenta, castanho ocre da zona dO Dayat Chott Tigri, serão a nossa zona de descoberta, já que as pistas são inexistentes. Vamos procurar encontrar o Monumento Comemorativo da Batalha de Chott Tigri e tirar partido da beleza da zona. Pretendemos chegar ao Dayat Lhajal, a partir do furo artesiano do Dayat Chott Tigri, onde as Pistas Q1 e Q1bis se encontram, fazendo assim um novo “track”.

Uma sequência de Bordj’s (Fortes) vão estar no nosso percurso. Os Bordj’s nesta zona Oriental de Marrocos e que se estende até ao Forte Flatters na Argélia, eram suportes de defesa da Legião Estrangeira. Contudo o modo de construção dos Bjord’s (Fortes), era diferente, enquanto em Marrocos o barro é a componente principal e como tal estão mais danificados com a água das chuvas, por exemplo o Forte Flatters, tinha uma construção mais resistente, em que a cal, já entrava na argamassa. Em 1993 estive de passagem por vários Fortes na Argélia e ainda havia muitos simbólos da Legião, com restos de mobília, sucata de viaturas e até documentos.

Bordj de Bell Frittas, Oglat Sedra, Bell Rhiada, El Ourak e outros mais estrão na nossa rota, havendo em alguns casos desvios de trajecto.

Figuig, merece uma visita mais cuidada e o Oásis de Figuig com o seu enorme palmeiral será uma das zonas a visitar. O comércio local e o artesanato de Figuig, são muito importantes, as pequenas lojas estão repletas de mercadoria, as farturas e so chás na esplanada vão permitir recuperar os 4×4 e o corpo.

De Figuig, tomamos a Pista Proibida até Mengoube Station para umas fotos, subindo depois por pista até ao Bordj Bel Rhiada até Talssinnt.

A Pista até Missouri, faz lembrar o velho Oeste Americano, “cogumelos” de arenito com centenas de metros de altura, saiem da planície, os Oueds secos permitem dar mais adrenalina a Expedição, já que desta vez o percurso do GPS permite outro tipo de navegação.

Midelt, Cirque de Jaffar, os grandes Lagos de Imilchill, a Pista de Tassent até Tasraft, (antiga Pista de Benni Mellal a Imilchill), Anergui e as Gorges de Assif Melloul, são as últimas Pistas do percurso. Depois o regresso por Bin Ouidane, Oued Zem até a Praia de Shkirat para uma banho de mar.

Depois o regresso a casa, pela via mais rápida até Sebta.

Bordj Tidarrine

Dayat Lhajal

E o que pretendemos encontrar

Gravuras Pré-históricas de Grand Ghilen, near Bel Ghiadia – N32 37.850 W2 53.550

E para aguçar o apetite

Chott Tigri versus Rekkan

EXPEDIÇÃO MARROCOS – CHOTT TIGRI 2012 (2)

Realizada a Travessia de Serpins a Freixo de Espada à Cinta via Lumbrales, as nossas atenções, viram-se a todo vapor para o estudo detalhado do percurso.

Source de Ain-Hamra

Menos de dois meses, para a Expedição a zona do Chott Tigri, zona que procuraremos “vasculhar” com todo o interesse, já que muitos motivos históricos e naturais estão ligados ao Chott Tigri, com a grande batalha com a Legião Estrangeira e o enorme manancial de água potável dos seus aquíferos, um dos maiores da África doi Norte. A textura da sua areia, do tipo “cola tudo” a sua cor ocre com tons de alaranjado, torna esta zona diferente. As dunetes e dunas que contornam todo o Chott vão “trajectadas”, de modo a construirmos um mapa Topo com mais pormenor.

O percurso até Ain Benimathar, cruza as montanhas do Rif, sempre em busca de trilhos, caminhos e pontos de interesse, como Coll du Nador, Estâncias Termais e Grutas naturais.

De Ain Benimathar até Chott Tigri, as pistas do Gandini são a nossa aposta, com uma descida até Iche, local com encanto e muitas boas recordações para o pessoal da Expedição de 2010. A Pista militar de Iche a Figuig é fabulosa, pela paisagens, pelos sítios de gravuras rupestres que existem ao longo do percurso e na parte fibal com a chegada a Figuig. O Palmeiral de Figuig está em vias de ser classificado como Património Natural da Humanidade.

Até Missouri a caravana seguirá uma rota pré-defenida, depois de Missouri as variantes serão estudadas dia após dia, sem presas e constragimentos, sempre com o lema “Devagar mas com estilo”.

Dayat Lhajal, near Ich

Inté.

UMA DESCIDA AO TRÓPICO DE CÂNCER – DAKHLA

O desafio foi lançado pelo Sousa em 2011, enquanto esperavamos em no Camping Deux Chemaux em El Ouatia, por um turbo novo para o SAvimbi. Desde então que esse Desafio me tem perseguido, tanto mais que ficou por acabar uma parte da Expedição do Anti Atlas, pela avaria do Defender SAvimbi.

Ontem dia 26, lancei o Desafio à minha companheira de sempre e a resposta foi sem hesitações – para que data? Como o Ramadão em 2012, tem início em 21 de Julho e termina a 19 de Agosto,  optamos pela data de 23 de Junho a 7 de Julho.

A ideia é depois de Agadir, descer nas calmas pela costa até Dakhala, fazer umas incursões pelo Sahara e subir depois por Tafraout em direcção ao Alto Atlas.

“Dakhla fica situada exactamente sobre o Trópico de Caranguejo, 1700 quilómetros a Sul de Casablanca. Fica no extermo sul de uma quase ilha, que fecha a celbérrima baía de Oued Eddahab. As águas são repletas de peixe e mornas (de 19 a 24°), ideais para a prática de desportos náuticos.

O clima é tropical seco, a temperatura oscila entre os 22 e os 25° ao longo de todo o ano e a areia é branca, de tal forma que há quem a denomine de as Antilhas Marroquinas.

A água é rodeada por um deserto de mil e uma formas: a menos de 40 quilómetros, a paisagem transforma-se de dunas saharianas para verdadeiros canyons do Arizona, passando por belas baías tipicamente mediterrânicas.

Dantes conhecida por Villa Cisneros, é a capital da região de Oued Ed-Dahab-Lagouira do Saara Ocidental, localizado na costa do Deserto do Saara.

Na cidade, mais especificamente na área sul da cidade, fica Cabo Blanco, imponente farol branco com 74 metros: nas suas margens fica um perigoso rochedo que pode causar acidentes aos navios que pretendem entrar na lagoa, para chegar ao porto da cidade. Nesse rochedo (falésia de Cabo Blanco) está localizado um cemitério de navios, o segundo maior da África”

EXPEDIÇÃO MARROCOS – CHOTT TIGRI 2012

Mais uma Expedição pela zona do “Chaîne du Rif” e pela zona Oriental de Marrocos, procurando novas pistas, novos motivos históricos e novas emoções.

De 21 de Abril a 5 de Maio de 2012, muitas das Pistas do Gandini dos Tomos IV e V, vão ser percorridas em busca de sítios históricos da luta de libertação de Marrocos, tanto em guerras com os franceses como com os espanhóis.

Procuramos sempre juntar os nossos percursos a pontos de interesse como, o Monumento de comemorativo da Batalha de Anoual, o Obelisco da Batalha de Chott  Tigri, a Igreja Católica de Figuig, as salinas de Zeradoun, os peculiares celeiros deitados de Jebel Taineste, bem como o rico património arqueológico da antiga linha de caminho de ferro até Mengoub.

O percurso terá início em Ceuta seguindo até Oued Laou, inflectindo depois para Targuist em Cala Iris, tomando depois o percurso PH1 que será seguido até Oudja. De Ceuta até Cala Iris, sempre junto ao Mediterrâneo, vamos usufruir de uns banhos e do bom peixe que se vende ao longo da estrada.

De Oujda, as pistas começam junto a Mina de Carvão em Oued El Himer, seguindo uma sequência de Pistas do tomo IV do Gandini, como a D1, G2, F1 até Tendrara, onde vamos reabastecer para mais uma etapa até Figuig com passagem pelo Oásis de Iche. A pista Q1 será feita envolvendo todo o Chott Tigri, uma zona de dunas de cor acastanhada de areia pegajosa, onde vamos dedicar dois ou três dias.

Depois de um repouso necessário numa das zonas mais ricas em aquiféros subterrâneos da África do Norte, descemos até Iche, para saborear a beleza do Oásis de Iche e estudar a típica construção de barro  de Iche.

Seguimo para Figuig por uma das mais belas pistas militares que já percorremos, desta vez com mais tempo para usufruir as paisagens e as inúmeras gravuras rupestres.

De Figuig tomamos a pista S1 até Mengoub, começando a subir pela G2 até Bel Ghida, seguindo uma nova pista de Anoual, Talsinnt, Merija Tidarine até Missour.

Até Sefrou seguimos por uma nova Pista por Marmoucha, Ait Markhlouf, Tirmirat, Tazouta, com visita a uma importante área mineira.

De Sefrou a Expedição segue por pista até Fez e depois Chefchaouen optando pelo percurso B do Tomo V do Gandini.

Em resumo, é esta a nossa proposta base, para uma Expedição em Autonomia Total, em que a navegação na busca de novos trilhos será sempre o nosso lema “Devagar mas com estilo”.

  1. Lino
  2. 100 Rumo
  3. Sousa
  4. João Carlos
  5. Firmino
  6. Savimbi
  7. Miguel de Alte
  8. Cardoso
  9. Damas
  10. Jurus

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Inté